sexta-feira, 8 de junho de 2012

Código Florestal (1934-2012)


Nessa ocasião tive a oportunidade de contrapor as palavras do deputado ruralista.

Debate sobre as alterações do Código Florestal na UFTM.
Da direita para a esquerda: deputado federal Paulo Piau (um dos propositores das alterações e relator na Câmara), professor e geográfo Renato Muniz Barretto de Carvalho, professor Fábio César da Fonseca (PET Conexões de saberes)  e eu.

No dia da Terra o #VETADILMA também esteve em Uberaba-MG.

Apesar de todas as manifestações dos ambientalistas, da sociedade civil e dos cientistas: 

Fonte: Folha de São Paulo

Faço das palavras do Raul Silva Telles do Valle as minhas:  http://www.socioambiental.org/nsa/direto/direto_html?codigo=2012-05-29-094409

sábado, 21 de abril de 2012

Os (des)caminhos da valorização da biodiversidade brasileira

Coluna do Washington Novaes do dia 20/04/2012 em O Estado de São Paulo (abaixo) faz reflexão importante baseando-se no projeto de lei que propõe a revogação do Código Florestal. Ele aponta para a inação e até mesmo a insensatez do poder público frente à conservação da biodiversidade brasileira. Exemplo notório é a PEC 215 que tira do poder Exectivo a prerrogativa de criação de Unidades de Conservação (UC), quilombos e Terras Indígenas, a qual encontra-se em tramitação. A idéia é dificultar a criação dessas áreas que são vistas por alguns como impecilho ao crescimento econômico do país.

Em relação às UCs é importante destacar o estudo editado por Rodrigo Medeiros e Carlos Eduardo Frickmann Young que encontra-se na internet: Contribuição das Unidades de Conservação brasileiras para a economia nacional. Nele apontam-se os diversos benefícios proporcionados por essas áreas: fornecimento de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, principalmente nas Florestas Nacionais e Estaduais e Reservas Extrativistas; manutenção da qualidade e quantidade da água que compõe os reservatórios de usinas hidrelétricas; possibilidade de atividades turísticas devido à proteção de paisagens; desenvolvimento de fármacos e cosméticos que em muitos casos utilizam espécies protegidas por UCs; mitigação da emissão de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa decorrente da degradação de ecossistemas naturais; receita de ICMS Ecológico repassada aos municípios pela existência de UCs em seus territórios; proteção de assentamentos humanos contra deslizamentos, enchentes e outros acidentes; a conservação de recursos pesqueiros e a conservação da biodiversidade por si só. O estudo utiliza o valor de uso direto para quantificar o valor desses bens e serviços e chega à conclusão de que eles geram benefícios econômicos maiores que os custos de manutenção desses espaços protegidos.

Inúmeros estudos mostram a importância da conservação. Em relação às APPs e Reserva Legal, gostaria de destacar o brilhante estudo Código Florestal e a Ciência: o que nossos legisladores ainda precisam saber e a publicação do WWF intitulada Congresso brasileiro vai anistiar redução de florestas em pleno século XXI?, ambas disponíveis para download./mpnuma.v.br/index.phpoption=com_docman&task=doc_details&gid=213&Itemid=204.
  
Infelizmente, a definição de estratégias e políticas em relação à proteção da biodiversidade brasileira está em mãos erradas. Legislar em causa própria ignorando a ciência tem sido a tônica dos debates no Congresso Nacional.

      Um código para a falta de estratégia

Pode-se começar pelo fim: quaisquer que sejam a data e o desfecho da votação no Congresso do projeto de Código Florestal, parece não haver razão para otimismo. Por vários motivos - que, simplificadamente, levariam à conclusão de que o panorama atual na área da conservação da biodiversidade e dos ecossistemas, assim como dos recursos naturais em geral, tenderá a continuar o mesmo; porque, do governo federal aos estaduais e municipais, faltam estratégias que coloquem essa preocupação no centro de nossas políticas públicas e porque faltam recursos para orientar, fiscalizar, impedir iniciativas danosas, punir os faltosos. Sem falar na complacência com desmatadores, reiterada nas últimas semanas.

Também se pode começar pela saudade e pela constatação de quanto faz falta um cientista como o professor Aziz Ab'Saber, que pela vida afora se cansou de alertar para a inexistência no Brasil de um Código de Biodiversidades, que criasse regras diferenciadas para o "mosaico vegetacional de nosso território" - macrobiomas, minibiomas, ecossistemas, faixas litorâneas, extremamente diferenciados e pedindo regras específicas para cada um. Tais como "as duas principais faixas de florestas tropicais brasileiras, a zona amazônica e a zona das matas atlânticas; o domínio dos cerrados, cerradões e campestres; a complexa região semiárida dos sertões nordestinos; os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul - além do nosso litoral e do Pantanal mato-grossense". Que sentido faz, por exemplo, estabelecer a mesma largura para faixas de proteção à beira-rio em volumosos caudais amazônicos e rios de outras regiões e dimensões?

Para esse ângulo das águas amazônicas têm chamado cada vez mais a atenção muitos cientistas de instituições da área, em alguns documentos já comentados neste espaço. E em outros, como os agora entregues ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, ressaltando o contrassenso de o governo federal criar Instituto Nacional de Águas em Foz de Iguaçu e Frutal e deixar de lado toda a Amazônia, que não tem instituição equivalente. É o caso de papers assinados por professores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Instituto Nacional de Pesquisas em Áreas Úmidas (INCT-Inau da Universidade Federal de Mato Grosso) e do Museu da Amazônia e Laboratório de Potamologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Amazonas.

O primeiro desses documentos põe ênfase na multiplicidade de tipos de áreas úmidas "naturais ou artificiais, permanentemente ou periodicamente inundadas por água rasa, parada ou corrente, doce, salobra ou salgada, ou com solos permanentemente ou periodicamente encharcados, que apresentam uma vegetação adaptada a estas condições". Cerca de 20% da superfície do País pode ser considerada área úmida. Plantas que vivem em solos cobertos ou saturados com água têm, para se adaptarem à falta de oxigênio, características específicas no seu sistema radicular. Áreas costeiras com influência do mar - mangues, lagoas, pântanos - precisam ser diferenciadas de áreas úmidas interiores, sem influência marítima. E assim por diante, com veredas, buritizais, áreas alagáveis ao longo de grandes rios amazônicos, áreas do Cerrado e do Pantanal, etc.

Chega-se aí à questão dos serviços ambientais prestados por essas áreas, que vão da absorção do excesso de água durante as chuvas à regulação da descarga, à influência no microclima pela evapotranspiração (um exemplo é a "exportação" de chuva amazônica para o Cerrado, por esse caminho) e muito mais. Mas essas áreas úmidas não são consideradas ecossistemas específicos, nem mesmo na Constituição brasileira. E o produto final de todas as omissões e faltas é a "destruição progressiva" de tais áreas; o "uso inadequado de terras, desmatamento de encostas, impermeabilização da superfície do solo, aumento dos volumes de chuvas e de erosão (que resulta em deslizamentos e formação de voçorocas, formação de enchentes, agravadas pela retificação e canalização de riachos e rios); aumento das queimadas (por falta de água infiltrada)". E as áreas úmidas serão cada vez mais importantes com estações mais chuvosas e secas mais intensas. "Nesse contexto", dizem os cientistas, "a proposta do novo Código Florestal se mostra completamente anacrônica".

Outro documento lembra que "não sabemos quanta água existe na Amazônia", porque conhecemos as vazões, "mas falta o elo subterrâneo do ciclo hidrológico". Segundo o IBGE, 45% da água subterrânea potável do País está na Região Amazônica; mas há formações geológicas que não são aquíferas. Já a Agência Nacional de Águas mostra que 58% das cidades da Região Norte são abastecidas exclusivamente por água subterrânea e 7% têm sistemas mistos. No Tocantins e em Roraima, 60% da água de abastecimento é subterrânea; no Pará, 76%; no Amazonas, 71%. Todo o Polo Industrial de Manaus usa água subterrânea. E o desmatamento na Amazônia aumenta o escoamento superficial (com água de má qualidade) e reduz a carga dos aquíferos. Não há pesquisa sobre a interação da água subterrânea com os ecossistemas amazônicos. Menos de 10% da população da região dispõe de acesso a água tratada.

São exemplos do tratamento deficiente que vem sendo dado às questões, apenas com o Código Florestal. E mesmo que este seja aprovado em sua versão menos danosa, como se fará para que seja cumprido? Como já se escreveu neste espaço mais de uma vez, o Ministério do Meio Ambiente tem apenas pouco mais de 0,5% do Orçamento federal. Como fiscalizar? Como cobrar multas, mesmo quando aplicadas? Como se adequar às especificidades de cada área apontadas pelos cientistas?

É pena. Recursos naturais são hoje o fator escasso no mundo. E o Brasil poderia valer-se disso, pela situação excepcional que desfruta. Mas, ao que parece, continuaremos apenas pensando em lucros imediatos.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lógicas que comandam o cerrado e a agricultura

Vasculhando meus arquivos encontrei a coluna de Washington Novaes do dia 15/05/08 em O Popular. Nela ele cita minha pesquisa de mestrado. A temática "agricultura e meio ambiente" sempre está presente nas discussões acadêmicas, a exemplo da recente pesquisa publica por holandeses na PNAS alertando que mais de 90% da água do planeta é utilizada na agricultura. O jornal O Globo publicou matéria referente à pesquisa, a qual econtrei no blog  http://blogdofavre.ig.com.br/ sob o título "Sede implacável".
Abaixo a referida coluna de Novaes.

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Lógicas que comandam o Cerrado


Washington Novaes

Ainda há poucas semanas, este jornal noticiou (12/4) a maior operação de fechamento de carvoarias já realizada no Estado, no Cerrado da região do Vão do Paranã: nada menos de 268 fornos ilegais foram interditados quando produziam carvão, provavelmente para gusarias e siderurgias de Minas Gerais, utilizando trabalhadores em “condições subumanas”. Mais um desses episódios que levam o nosso segundo maior bioma, detentor de um terço da biodiversidade nacional, nascedouro de 14% das águas brasileiras, a perder a cada ano mais de 1% de sua vegetação (22 mil quilômetros quadrados anuais), segundo o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

Um documento que poderá ajudar as discussões sobre o Cerrado é uma dissertação para o Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais na Universidade de São Paulo, apresentada por Clarissa de Araújo Barreto e que tem como tema Agricultura e Meio Ambiente: Percepção e Prática de Sojicultores em Rio Verde-GO. O trabalho mostra muitas coisas, como os vários impactos provocados pelo tipo de modernização que aconteceu, via mecanização e aporte de insumos químicos: desmatamento, poluição de cursos d’água, erosão, compactação, intoxicações por agrotóxicos e concentração da propriedade fundiária. Mostra ainda que a percepção ambiental dos produtores de soja apurada nas pesquisas (50 produtores, cerca de 10% do total) “não necessariamente influencia na adoção de práticas agrícolas sustentáveis”; eles continuam regidos fundamentalmente pelas lógicas financeiras.

Embora a atual discussão sobre a “crise de alimentos” no mundo esteja desviada do rumo porque não toma em consideração muitos fatores, não deixa de ser interessante observar no trabalho a profunda transformação ocorrida na agricultura goiana em quase meio século. Em 1960 – diz a dissertação – “a produção de arroz correspondeu a 50,4% do valor total de produção agrícola do Estado; a de feijão, a 12,1%; a de milho a 13%; e a de cana a 4,3%”. A soja ainda nem aparecia. Trinta anos depois a produção de arroz já correspondia a apenas 3,7% do valor da produção agrícola estadual, a do feijão a 6,1%, a do milho a 25,5%; já a cana subia para 12,3% e a de soja para 16%.

Hoje, em área plantada, os grãos estão com 3,6 milhões de hectares (4º lugar no País) e a cana com 401 mil hectares (e continua avançando rapidamente). Goiás é o maior produtor de sorgo no País, 3º no algodão, 4º na soja (9% do total), 5º no feijão e na cana, 6º no milho (O POPULAR, 18/10/07). As lavouras expandiram em 65% a área plantada em uma década, para 3,59 milhões de hectares, as pastagens reduziram-se em 20%, para 15,5 milhões de hectares (22/12/07). A agropecuária representa 13,36%do PIB goiano (27/11).

Em Rio Verde, a predominância na sojicultura é das grandes áreas: 74% das propriedades pesquisadas são enquadradas nessa categoria, pelos critérios do Incra. Até 100 hectares, há apenas uma propriedade; a maior tem 13,45 mil hectares. A média de empregados é de 6,76 por propriedade, 80% dos quais temporários. O que se explica pelo alto índice de mecanização: todas as propriedades têm trator, 86% têm colheitadeira, mas só 2% têm pivô central. 80% dos plantadores são favoráveis às sementes transgênicas, alegando motivos econômicos.

Ângulo curioso é o da reserva legal, que parece contrariar o panorama geral do Cerrado: 98% dos plantadores dizem manter a reserva – 71,% dentro da propriedade, 20,4% dentro e fora e 8,2% fora. Mas 62% dos proprietários dizem nunca haver sido vistoriados – até porque o escritório regional do Ibama só dispõe de 5 fiscais para 30 municípíos. Quando se olham os números sobre a vegetação na área, sobrevêm dúvidas.

As matas de galerias diminuíram 49,5% entre 1975 e 2005; as matas ciliares, 74,93%; o Cerrado aberto, 98,35%. No mesmo período, as pastagens aumentaram 332% e a agricultura 1059%.

Há outros ângulos interessantes na dissertação mencionada. Como o da internalização das técnicas mecânicas, de “correção” do solo e aração, trazidas dos países temperados. Foi preciso muito tempo para que se começasse a adotar o plantio direto. As transformações seguiram também o modelo de aumentar a produção voltada para setores de transformação industrial já implantados e de beneficiar fortemente os setores que produzem (ou importam) insumos químicos e equipamentos de mecanização. Trata-se, porém, de um modelo que favorece a concentração fundiária e desestimula a permanência do pequeno produtor na terra – gerando forte migração para as áreas urbanas e a progressiva ingovernabilidade dos maiores centros urbanos, um dos problemas centrais do País, hoje.

Não se trata de negar avanços produtivos e sua influência na economia do Estado. Mas é importante olhar também os problemas, se se pretende avançar em direção à sustentabilidade e à garantia de futuro.

Washington Novaes é jornalista.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

E os malditos (Plumbum Mineração e Metalurgia Ltda) podem voltar

Meu primeiro post fala de uma história de descaso em relação à população de um município baiano, Santo Amaro da Purificação. Descaso que se enquadraria perfeitamente em um caso de Injustiça Ambiental. É a história de uma empresa que deixou um passivo ambiental imenso ao não tratar e dispor adequadamente seus resíduos. Os resultados drásticos sobre a saúde dos munícipes foram verificados desde a instalação do empreendimento e estão lá até hoje.
Volto a comentar esse assunto porque a Carta Capital publicou reportagem que afirma que a Plumbum Mineração e Metalurgia Ltda pode voltar a funcionar e seu CNPJ continua ativo (http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mineradora-que-contaminou-cidade-de-caetano-e-bethania-continua-ativa/). Parece que nada de concreto foi feito contra a empresa, assim como muito pouco se fez para melhorar a saúde e bem estar das vítimas de tamanha irresponsabilidade. A reportagem é bem elucidativa, mas o melhor é o vídeo nela colocado, já que mostra os rostos, as deformações e o descaso do poder público.
É bom saber que o caso não caiu no esquecimento.
E é bom lembrarmos que os malditos não foram embora.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O código e o clima

Agora, só em Março de 2012. Essa é a data quando o projeto de lei que revoga o Código Florestal passará pela Câmara. As discussões foram muitas e alguns pontos positivos estão no projeto, apesar dos retrocessos como a anistia aos desmatadores. Entre os vários textos sobre o assunto prefiro, até o momento, o publicado no caderno Aliás do Estadão dia 11/12/11: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-tolerante-lei-da-selva,809285,0.htm . Prefiro sempre ler/ouvir as palavras de cientistas, ainda mais no caso do código, o qual obviamente deveria ter embasamento científico. Nesse caso, os cientistas se manifestaram nas audiências realizadas no Senado e nas publicações da SBPC e ABC. O alerta foi dado: há de se respeitar áreas sensíveis (beira de cursos d'água, encostas, nascentes), caso contrário as atividades humanas (abastecimento, habitação e a própria agropecuária) serão seriamente afetadas. O alerta não foi incorporado ao texto legislativo e há indícios de que ao voltar à Câmara piore, já que alguns deputados não estão contentes com a obrigatoriedade de recuperar áreas desmatadas.
Fez-se toda uma mis en scéne para acreditarmos que as ponderações científicas seriam levadas em consideração. Será que fui ingênua demais ao imaginar que haveria bom senso em toda essa discussão?
O interesse público, mais uma vez, foi posto de lado a favor dos interesses puramente políticos e por que não, particulares.

E por falar em desconsiderar a ciência, o mesmo ocorre nas negociações em relação às mudanças climáticas (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/504909-durbantrazavancosmasnaoresolveameaca-aoclima). Suzana Kahn Ribeiro, uma das cientistas brasileiras do IPCC afima: Antes os cientistas tinham um peso muito grande nesse processo, mas depois perderam espaço para o processo político.
E o processo político "empurra com a barriga" ações que minimizem a emissão dos gases de efeito estufa. Apenas a partir de 2020 ações nesse sentido serão colocadas em prática. Não seria tarde demais?
Sérgio Abranches, ao fazer um balanço da COP 17 na rádio CBN, coloca que tais ações só se efetivarão quando a coisa realmente "esquentar" (leia-se: o clima). Para ele, isso só ocorrerá a partir de 2015, portanto até lá - só falatório.

A ciência está aí e a cada dia avançando mais. Mas pouco se concretiza se os resultados das pesquisas não são seriamente considerados na formulação de normas. Percebe-se claramente que é necessário consciência.

@cissabarreto

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Agricultura e meio ambiente - 2

Aproveito a publicação da matéria "Defensivos contaminam moradores em Mato Grosso", disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me3108201018.htm, para apontar um dos impactos revelados por minha pesquisa (Agricultura e meio ambiente: percepções e práticas de sojicultores em Rio Verde-GO).


- Poluição das águas

A matéria da Folha aponta estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz e a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) nos municípios matogrossenses Campo Verde e Lucas do Rio Verde, grandes produtores de grãos:

"O monitoramento da água de poços revelou que 32% deles continham resíduos de agrotóxicos, também achados em mais de 40% das amostras de chuvas. Já 11% das amostras de ar tinham resíduos de tóxicos como o endossulfam - que teve seu banimento recomendado por seu potencial cancerígeno. A pesquisa agora analisa a correlação entre esses dados e registros de intoxicações, câncer, má-formação fetal e distúrbios neuropsicológicos nos municípios."

Primeiramente deve-se parabenizar a iniciativa das instituições pela realização de estudo tão pertinente e ao mesmo tempo tão raro no nosso país. São poucos os estudos realizados a fim de detectar resíduos de agrotóxicos em águas, solo e ar, apesar de sua notória importância para a saúde pública e ambiental.

Meu estudo apontou a poluição das águas por agrotóxicos e fertilizantes como um dos principais problemas ambientais percebidos pelos sojicultores entrevistados. No entanto, não havia até aquele momento (2005) nenhum estudo, como o mencionado acima, em Rio Verde ou outros municípios de Goiás. Os únicos dados existentes eram aqueles advindos de análises de água para abastecimento público de Rio Verde realizadas pela companhia de saneamento de Goiás (SANEAGO). Tais análises realizadas em 2004 e 2005 revelaram que a qualidade da água, em relação aos resíduos de agrotóxicos, estava na sua maioria dentro dos valores máximos permitidos.

Apesar dos bons resultados, análises mais detalhadas tanto das águas superficiais quanto das subterrâneas deveriam ser realizadas devido à grande quantidade de produtos químicos utilizados na região.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Agricultura e meio ambiente - 1

É interessante olhar pra trás e saber quanta coisa (boa e ruim) aconteceu nesses dois anos que separam esse post do primeiro e único até agora. É interessante perceber que a vida tomou um rumo e agora toma outro, como se fosse um rio cheio de afluentes ou, para usar o vocabulário amazônico, cheio de igarapés. Um rio serpenteando o estado do Amazonas...o Purus. Mas essa é uma história que deixarei para outros posts.

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Nesse eu gostaria de colocar algumas coisas que escrevi.
Àqueles que se interessarem:

1) Artigo > Agricultura e Meio Ambiente em Rio Verde-GO:
http://www.interfacehs.sp.senac.br/BR/artigos.asp?ed=6&cod_artigo=110
2) Artigo > Os impactos socioambientais do cultivo de soja no Brasil:
www.anppas.org.br/encontro_anual/.../GT/.../clarissa_barreto.pdf
3) Reportagem da Agência USP de Notícias "Ausência governamental facilita destruição do Cerrado":
http://www.usp.br/agen/?p=6017
4) E por último, o livro "Rumo ao pensamento crítico socioambiental", organizado pelo professor Wagner Ribeiro e editado pela Annablume. Nele colaboro com o capítulo "Problemas ambientais em Rio Verde - Goiás, a partir da atividade agropecuária".


A pesquisa foi fruto do mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (PROCAM/USP) e revelou impactos socioambientais em Rio Verde, importante município agropecuário do estado de Goiás, derivados de suas atividades produtivas.