Agora, só em Março de 2012. Essa é a data quando o projeto de lei que revoga o Código Florestal passará pela Câmara. As discussões foram muitas e alguns pontos positivos estão no projeto, apesar dos retrocessos como a anistia aos desmatadores. Entre os vários textos sobre o assunto prefiro, até o momento, o publicado no caderno Aliás do Estadão dia 11/12/11: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-tolerante-lei-da-selva,809285,0.htm . Prefiro sempre ler/ouvir as palavras de cientistas, ainda mais no caso do código, o qual obviamente deveria ter embasamento científico. Nesse caso, os cientistas se manifestaram nas audiências realizadas no Senado e nas publicações da SBPC e ABC. O alerta foi dado: há de se respeitar áreas sensíveis (beira de cursos d'água, encostas, nascentes), caso contrário as atividades humanas (abastecimento, habitação e a própria agropecuária) serão seriamente afetadas. O alerta não foi incorporado ao texto legislativo e há indícios de que ao voltar à Câmara piore, já que alguns deputados não estão contentes com a obrigatoriedade de recuperar áreas desmatadas.
Fez-se toda uma mis en scéne para acreditarmos que as ponderações científicas seriam levadas em consideração. Será que fui ingênua demais ao imaginar que haveria bom senso em toda essa discussão?
O interesse público, mais uma vez, foi posto de lado a favor dos interesses puramente políticos e por que não, particulares.
E por falar em desconsiderar a ciência, o mesmo ocorre nas negociações em relação às mudanças climáticas (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/504909-durbantrazavancosmasnaoresolveameaca-aoclima). Suzana Kahn Ribeiro, uma das cientistas brasileiras do IPCC afima: Antes os cientistas tinham um peso muito grande nesse processo, mas depois perderam espaço para o processo político.
E o processo político "empurra com a barriga" ações que minimizem a emissão dos gases de efeito estufa. Apenas a partir de 2020 ações nesse sentido serão colocadas em prática. Não seria tarde demais?
Sérgio Abranches, ao fazer um balanço da COP 17 na rádio CBN, coloca que tais ações só se efetivarão quando a coisa realmente "esquentar" (leia-se: o clima). Para ele, isso só ocorrerá a partir de 2015, portanto até lá - só falatório.
A ciência está aí e a cada dia avançando mais. Mas pouco se concretiza se os resultados das pesquisas não são seriamente considerados na formulação de normas. Percebe-se claramente que é necessário consciência.
@cissabarreto