terça-feira, 28 de outubro de 2008

Vamos purificar o Subaé!


Purificar o Subaé (Caetano Veloso)

Purificar o Subaé
Mandar os malditos embora
Dona d'água doce quem é?
Dourada rainha senhora
Amparo do Sergimirim
Rosário dos filtros da aquária
Dos rios que deságuam em mim
Nascente primária
Os riscos que corre essa gente morena
O horror de um progresso vazio
Matando os mariscos e os peixes do rio
Enchendo o meu canto
De raiva e de pena


Linda letra do Caetano.
Letra cheia de poesia e protesto.
Quando conheci essa letra imaginava que ele estava se referindo, de forma generalizada, à poluição das águas por atividades econômicas.
Posteriormente, soube que o Subaé existe, assim como o Sergimirim. São rios que se localizam em Santo Amaro, no recôncavo sul da Bahia, terra natal do Caetano.
Instalou-se ali, na década de 1960, uma usina de lingotes de chumbo da subsidiária francesa Penarroya, líder mundial na produção de óxidos de chumbo destinados à fabricação de baterias, cristais, plásticos e tubos de televisão. Durante os 33 anos de funcionamento, a usina utilizou o rio Subaé como receptor de seus efluentes líquidos, o que causou contaminação de suas águas, pois os efluentes não eram tratados e o rio possuía baixa capacidade de dispersão e diluição desses. A contaminação por metais pesados como chumbo e cádmio também ocorreu no solo e no ar atingindo todos os seres vivos da região: animais, espécies agricultáveis e moradores. Esses, os moradores, além de estarem expostos ao ar, água, plantas e animais contaminados, tiveram contato com resíduos sólidos (escória) irresponsavelmente expostos a céu aberto pela usina. Resíduos que foram utilizados inadvertidamente pela população e prefeitura em construções.
A usina foi embargada e estudos toxicológicos e epidemiológicos foram feitos. Várias pessoas ficaram e ficam até hoje seriamente doentes, já que metais pesados se acumulam no organismo, e um rastro de contaminação deixado no ambiente, frutos de uma irresponsabilidade sem preço.

Quem quiser saber mais sobre essa tragédia, leia: http://www.ida.org.br/meio%20ambiente/chumbosantoamaro.htm

Interessante é perceber que a letra do Caetano não precisa ser contextualizada com o triste ocorrido em Santo Amaro, ela é um retrato daquilo que ocorre por aí: Goiânia (Césio 137), Caetité (Urânio), Paulínia (Caso Shell), só para citar alguns mais conhecidos. Sem falar na China, que também está no rumo do progresso vazio (ver reportagem na Folha de São Paulo (26/10/08)).

Progresso vazio, vazio de verdadeira responsabilidade social e ambiental, vazio de ética.
É de dar raiva, é de dar pena.

É com a música do Caetano e com esse trágico passivo socioambiental que quero inaugurar o blog Ecoando.
Por aqui pretendo ecoar o que me aflige, preocupa, alegra, o que me dá raiva, pena, enfim, aquilo que desejo compartilhar com aqueles que por aqui passarem. Priorizarei questões socioambientais, já que esse é o foco do blog.

É um espaço de troca, diálogo, sugestões e críticas.

Sejam bem-vindos!

Vamos ecoar, purificar o Subaé e mandar os malditos embora.